Em janeiro de 2026, um recorde histórico mostrou que 79,5% das famílias brasileiras estavam endividadas, nível igualado apenas em outubro de 2025. Esse cenário alarmante contrasta com indicadores macroeconômicos favoráveis: inflação controlada, desemprego em queda e PIB em crescimento.
Enquanto o Brasil figura como a sexta economia mais endividada da América Latina, muitos lares ainda não sentem os efeitos positivos da retomada. A disparidade entre a saúde geral da economia e a realidade individual exige atenção imediata.
Panorama Atual das Dívidas Familiares
As dívidas mais comuns envolvem cartões de crédito, cheque especial, empréstimos consignados, financiamentos e carnês, cada um com prazos e taxas distintas.
- Cartões de crédito
- Cheque especial
- Financiamentos habitacionais e de veículos
- Empréstimos consignados
- Carnês e compras parceladas
Dados da CNC revelam que 56,2% das famílias comprometem entre 11% e 50% da renda com dívidas, e 30% enfrentam passivos superiores a R$ 15.000. Essa realidade atinge principalmente domicílios com renda de até três salários mínimos, onde a pressão financeira pode ultrapassar 50% do orçamento familiar.
O número de inadimplentes bateu recorde de 73,49 milhões de consumidores no final de 2025, impulsionado por débitos com 4-5 anos de atraso, que representam 32,64% dos casos. O tempo médio de atraso atingiu 64,8 meses, o maior em um ano.
No início de 2026, 16,1% das pessoas se consideram “muito endividadas” e 30,9% “mais ou menos endividadas”, reflexo de um comprometimento médio da renda em 29,7%, a maior taxa desde maio de 2025.
Dívida Pública e Contexto Macroeconômico
A dívida pública federal alcançou R$ 8,635 trilhões em 2025, projeção de R$ 9,7 a 10,3 trilhões para 2026. Já a dívida bruta do governo geral (DBGG) ficou em 78,7% do PIB, acima da média da última década, mas aquém do pico de 90,7% registrado em 2020.
Os juros elevados, com Selic média em 14,33%, encarecem linhas de crédito e repassam custos aos consumidores. Esse efeito de “contágio” dificulta a quitação de débitos, estimulando uma espiral de juros sobre juros e atrasos prolongados.
Para mitigar riscos, o Tesouro Nacional diversificou seus indexadores: prefixados (22%), atrelados a preços (25,9%), flutuantes (48,3%) e câmbio (3,8%). O colchão de liquidez de R$ 1,19 trilhão garante 7,3 meses de cobertura dos vencimentos internos.
Causas do Endividamento
Os principais vilões são as taxas de juros elevados no Brasil, a facilidade de parcelamento e a cultura de consumo que estimula gastos além do orçamento.
O desaquecimento do poder de compra e a oferta de crédito descontrolada geram uma situação de endividamento crescente, com 49,8% da renda comprometida pelo Sistema Financeiro Nacional e 31,3% excluindo dívidas imobiliárias.
A projeção de Queda projetada da Selic a partir de março de 2026 traz esperança, mas ainda reserva um longo caminho até que os juros se tornem acessíveis e reduzam a inadimplência.
A combinação de cultura de crédito fácil e baixa educação financeira fomenta atrasos crônicos, resultando em quase metade das dívidas com mais de 90 dias em aberto.
Passos Práticos para se Libertar das Dívidas
Adotar ações concretas e consistentes é essencial para retomar o controle financeiro. Siga estes passos:
- Diagnóstico completo: liste todas as dívidas e calcule o percentual de renda comprometido.
- Negociação inteligente: busque acordos junto ao Serasa ou SPC para reduzir juros.
- Corte de gastos: elimine despesas supérfluas e priorize pagamento de débitos mais onerosos.
- Aumento de renda: explore trabalhos extras ou monetização de habilidades.
- Planejamento contínuo: implemente o orçamento 50/30/20 e monitore seus objetivos.
O diagnóstico permite identificar quais dívidas pagam juros mais altos. A negociação via plataformas especializadas pode alongar prazos e diminuir taxas, tornando as parcelas mais suaves.
O método 50/30/20 destina 50% da renda para necessidades básicas, 30% para desejos e 20% para poupança ou amortização. Essa regra simples equilibra consumo e quitação de passivos.
Com Disciplina e planejamento financeiro, é possível reduzir o total devido mês a mês até atingir o saldo zero.
Projeções e Esperança para 2026
As previsões indicam que o nível de endividamento familiar poderá chegar a 80,4% em junho de 2026, mas a inadimplência deve recuar para cerca de 28,9%, o menor patamar em meses.
Pesquisa recente mostra que 38% dos endividados não têm certeza se quitarão todas as dívidas até o fim do ano, mas há confiança de 64,8% na melhora gradativa com a diminuição dos juros.
O momento também apresenta oportunidades: a ampliação do Tesouro Direto e a crescente educação financeira indicam que mais pessoas buscam alternativas para organizar as finanças e formar reservas de emergência.
A queda da taxa básica tende a baratear empréstimos e reduzir o custo do crédito, abrindo espaço para renegociações mais favoráveis.
Dicas de Investimento Inicial
Para quem ainda enfrenta dívidas, iniciar um pequeno investimento fortalece a confiança e cria um hábito de reserva.
- Tesouro Selic: alta liquidez e proteção contra oscilações na taxa básica.
- Programa Renda+: incentiva aportes regulares mesmo com baixo orçamento.
- Educa+: capacitação e suporte para novos investidores, com mais de 194 mil participantes.
- Pé-de-Meia: estímulo a estudantes, já com mais de 31 mil jovens criando reservas.
Mesmo aportes modestos ajudam a construir o hábito de economizar e preparam o terreno para objetivos maiores.
Recuperar a sua tranquilidade financeira exige paciência e comprometimento diário. Cada passo dado reduz o peso das dívidas e aproxima você de projetos que antes pareciam impossíveis.
Ao unir ferramentas de negociação, educação financeira e ferramentas como o Tesouro Direto, é possível não apenas saldar débitos, mas também começar a construir um futuro sólido e cheio de possibilidades.
Referências
- https://www.gov.br/fazenda/pt-br/assuntos/noticias/2026/janeiro/divida-publica-encerra-2025-em-r-8-635-trilhoes-dentro-dos-limites-projetados-aponta-tesouro
- https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-02/percentual-de-familias-com-dividas-cresce-mas-inadimplencia-cai
- https://www.radiofandango.com.br/2026/01/29/endividamento-das-familias-brasileiras-sobe-a-498-em-novembro-segunda-pior-marca-da-serie-historica/
- https://www.infomoney.com.br/economia/endividamento-das-familias-atinge-795-em-janeiro-e-iguala-recorde-diz-cnc/
- https://pt.tradingeconomics.com/brazil/gross-debt-to-gdp
- https://cndl.org.br/varejosa/pais-encerra-o-ano-com-inadimplencia-recorde-e-atinge-pela-primeira-vez-7349-milhoes-de-consumidores-aponta-cndl-e-spc-brasil/
- https://portal.clientesa.com.br/consumidor-brasileiro-em-clima-de-cautela-para-2026/
- https://revistaoeste.com/economia/endividamento-cresce-no-brasil-mostra-levantamento/
- https://einvestidor.estadao.com.br/ultimas/renda-cresce-endividamento-familias-descontrole-financeiro-2026/
- https://www.jornaldocomercio.com/economia/2026/01/1235249-endividamento-das-familias-sobe-a-498-em-novembro-de-493-em-outubro-afirma-bc.html
- https://www.tesourotransparente.gov.br/temas/divida-publica-federal/estatisticas-e-relatorios-da-divida-publica-federal
- https://www.bcb.gov.br/estatisticas/estatisticassetorexterno
- https://matogrossoeconomico.com.br/economia/ano-novo-dividas-velhas-parte-dos-brasileiros-deve-comecar-2026-endividada/
- https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/brasil-e-a-sexta-economia-mais-endividada-da-america-latina-mostra-fmi/







