Mitos e Verdades Sobre o Limite do Cartão de Crédito

Mitos e Verdades Sobre o Limite do Cartão de Crédito

O cartão de crédito é uma aliada poderosa na gestão financeira, mas também pode se tornar uma armadilha.

Em um cenário regulatório em rápida evolução, é fundamental separar crenças infundadas de fatos concretos para tomar decisões conscientes.

Entendendo o Contexto Regulatório

Nos últimos anos, o Brasil tem implementado uma série de normas para combater práticas abusivas e fortalecer o consumidor.

Leis e regulamentações recentes visam dar mais clareza ao processo de concessão e cobrança de crédito, garantindo transparência em comunicações e respeito aos direitos do cliente.

  • Lei nº 14.690/2023: limite de juros e encargos ao dobro da fatura
  • Lei nº 14.181/2021: proteção ao superendividado
  • Regras BC/CMN 2026: consentimento expresso para aumento de limite

Mito 1: Aumento de Limite Automático sem Aviso

Muitas pessoas acreditam que o banco pode, a qualquer momento, elevar o limite do cartão sem consulta prévia. Isso soa prático, mas pode agravar dívidas.

Na realidade, desde 2026, bancos estão proibidos de emitir novo cartão ou aumentar limite sem consentimento expresso e verificável do cliente. Essa medida combate práticas abusivas como renovações surpresas em promoções.

Mito 2: Dívida no Rotativo Cresce Sem Limites

O receio de ver uma fatura virar uma bola de neve é comum: muitos imaginam que não há teto para juros e encargos.

Com a Lei nº 14.690/2023, o valor total da dívida no rotativo está limitado a limite de dívida ao dobro da fatura original. Ou seja, uma conta de R$ 1.000 não pode chegar a mais de R$ 2.000.

Além disso, o banco deve oferecer parcelamento com prazo definido e custo total claro, protegendo contra a sentença de dívida infinita que atingia juros de até 400% ao ano.

Mito 3: Bancos Cobram o Que Quiserem em Juros

É comum ouvir que os bancos impõem livremente taxas exorbitantes sem qualquer controle.

Na prática, o teto legal de dobro da fatura freia abusos, e as instituições precisam detalhar nas faturas o valor total, alternativas de pagamento, juros e comissões.

O consumidor tem ainda o direito à portabilidade da dívida para outra instituição que ofereça condições melhores, favorecendo a competição e reduzindo custos.

Mito 4: Limite Ilimitado Não Gera Superendividamento

Alguns acreditam que quanto mais limite, melhor, sem considerar o impacto no orçamento.

Na verdade, limites comprometidos podem levar ao uso de crediário e empréstimos pessoais com condições variáveis. Em 2026, a demanda por essas modalidades cresceu 25% devido à seletividade e juros altos do cartão.

Planejar e equilibrar o uso do crédito é essencial para preservar o equilíbrio financeiro e bem-estar familiar.

Mito 5: Não Há Proteção em Renegociações ou Limites

Muitos não sabem que existe um marco legal que obriga clareza em cada comunicado do banco.

Desde 2025, é exigida a avaliação de capacidade de pagamento antes de conceder novos limites e renegociar dívidas, seguindo exemplos internacionais.

Fintechs e bancos tradicionais estão na mira da fiscalização para garantir proteção contra agiotagem institucionalizada.

Comparativo de Juros e Regulamentações

Como Proteger Seu Orçamento

Além de conhecer seus direitos, adotar práticas saudáveis faz toda a diferença no controle financeiro.

  • Analise suas despesas mensais antes de usar o rotativo.
  • Negocie sempre que ultrapassar a metade do limite.
  • Considere o crediário com parcelas fixas para compras maiores.
  • Monitore notificações do banco e revise contratos periodicamente.

Empoderar-se com informação é o primeiro passo para usar o crédito a seu favor, evitando surpresas e construindo uma trajetória de saúde financeira.

Giovanni Medeiros

Sobre o Autor: Giovanni Medeiros

Giovanni Medeiros