Em um mundo de incertezas e desafios legais, encontrar mecanismos sólidos para preservar o patrimônio e assegurar o bem-estar das futuras gerações é fundamental. Os trusts surgem como uma ferramenta poderosa, oferecendo blindagem patrimonial e sucessória eficiente e garantindo que a vontade do instituidor perdure.
Introdução aos Trusts e Seu Potencial
Originários do direito anglo-saxão, os trusts têm se destacado como uma estrutura jurídica anglo-saxônica de planejamento patrimonial. Nele, o settlor transfere bens a um trustee, que passa a deter a titularidade legal em benefício de beneficiários, separando a titularidade legal distinta da econômica.
Essa separação permite a proteção de ativos contra disputas judiciais, credores e instabilidades políticas ou econômicas. No Brasil, embora ainda faltem normas específicas de funcionamento, a Lei nº 14.754/2023 avançou ao disciplinar a tributação de trusts localizados no exterior.
Partes Fundamentais do Trust
Para compreender o poder dos trusts, é essencial conhecer suas partes constituintes. Cada ator desempenha papel crucial na gestão e proteção do patrimônio.
- Settlor (instituidor): Cria o trust, transfere bens e define regras pela escritura (trust deed).
- Trustee (administrador): Detém a titularidade legal, gere investimentos e presta contas fiduciariamente.
- Beneficiários: Recebem rendas ou principal conforme condições estabelecidas.
- Protector (opcional): Fiscaliza o trustee, aprova atos e garante segurança jurídica.
Tipos de Trusts e Suas Características
Existem dois modelos principais, cada um adequado a diferentes objetivos:
Funcionamento e Planejamento Patrimonial
Ao instituir um trust, o settlor transfere imóveis, ações ou investimentos ao trustee. Embora este detenha a propriedade legal, o uso econômico está reservado aos beneficiários, conforme especificado na escritura.
Por exemplo, um empresário pode determinar que seus filhos recebam rendas mensais a partir dos 25 anos e o principal aos 40, evitando disputas e evitar disputas judiciais e litígios. Durante esse período, o trustee administra os ativos com prudência e transparência.
Tributação e Regime Jurídico no Brasil
A Lei nº 14.754/2023 estabeleceu a tributação anual de 15% sobre os resultados dos trusts no exterior, equiparando-os a fundos exclusivos. Até a efetiva distribuição ou falecimento do settlor, os bens permanecem sob sua titularidade para fins de declaração.
Adicionalmente, o RERCT (Lei 13.254/2016) reconheceu trusts sem distinção entre revogáveis e irrevogáveis, conferindo efeitos plenos no Brasil. Ainda assim, a ausência de regulamentação integral e a presunção de controle pelo Fisco representam desafios a serem monitorados.
Vantagens para a Proteção do Legado
Ao adotar um trust, famílias podem desfrutar de diversos benefícios:
- Blindagem patrimonial contra credores e disputas judiciais.
- Planejamento sucessório personalizado conforme desejos do instituidor.
- Continuidade dos negócios familiares sem interrupções ou litígios.
- Gestão profissional de ativos familiares por trustee qualificado.
Essas características oferecem tranquilidade e preservam relações afetivas, evitando conflitos que muitas vezes afetam o patrimônio familiar.
Riscos e Desvantagens a Considerar
Apesar de seu potencial, os trusts também apresentam riscos:
– Insegurança jurídica: sem regulamentação plena, decisões judiciais podem invalidar atos.
– Custo elevado: a tributação anual e honorários de trustees tornam o instrumento oneroso.
– Perda de controle em trusts irrevogáveis; o settlor abdica completamente da gestão direta.
– Presunção fiscal de controle indireto, se o Fisco entender que o settlor mantém poder decisório.
Comparação com Outras Estruturas
Em comparação a fundações, holding familiar ou testamentos, o trust se destaca pela flexibilidade para condições sob medida. Fundações oferecem blindagem, mas são menos adaptáveis ao perfil de cada beneficiário. Testamentos exigem inventário judicial, tornando o processo moroso e público.
Perspectivas Futuras e Considerações Finais
O Projeto de Lei Complementar nº 145/2022 busca regulamentar integralmente os trusts no Brasil, unificando aspectos tributários e de funcionamento. Se aprovado, trará maior segurança jurídica e tornará a ferramenta acessível a um público mais amplo.
Adotar um trust não é apenas uma estratégia de proteção patrimonial: é um ato de amor e responsabilidade com as gerações futuras. Com planejamento adequado e apoio profissional, é possível criar um legado duradouro, respeitando valores familiares e garantindo prosperidade para quem virá depois.
Referências
- https://poletto.adv.br/o-papel-dos-trusts-no-planejamento-patrimonial-e-sucessorio/
- https://geda.com.br/conteudo/trusts-e-fundacoes-como-instrumento-de-protecao-patrimonial-e-de-organizacao-diferenciada-de-sucessao/
- https://warren.com.br/magazine/trust/
- https://hsanches.com/pt/artigos/Trusts-como-alternativa-de-planejamento-patrimonial-e-sucessorio
- https://www.migalhas.com.br/depeso/441365/trust-no-exterior-cofre-ou-luxo-que-ficou-caro
- https://www.infomoney.com.br/guias/trusts/
- https://www.bernhoeft.com.br/blog/trusts-e-estruturas-no-exterior-o-que-o-fisco-brasileiro-espera-mesmo-sem-legislacao-clara/
- https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/deve-o-trust-ser-incorporado-no-direito-brasileiro







