Tecnologia e Finanças: Redefinindo a Gestão Patrimonial

Tecnologia e Finanças: Redefinindo a Gestão Patrimonial

Em um mundo onde a transformação digital avança a passos largos, a forma de gerir patrimônios evolui e se adapta. Investidores, empresas de grande porte e PMEs precisam alinhar estratégias financeiras a inovações tecnológicas, sem perder o foco em conformidade e segurança.

Este artigo apresenta um panorama abrangente sobre como integrar normas legais, processos clássicos e soluções de última geração para maximizar a eficiência operacional e conformidade.

Arcabouço Legal e Normativo

Antes de tudo, a gestão patrimonial solidamente estruturada exige profundo entendimento de normativas brasileiras e internacionais. Entre as principais estão:

  • CPC 01 – Estrutura Conceitual: Fundamenta os critérios para reconhecimento e mensuração de ativos.
  • CPC 27 – Ativo Imobilizado: Define reconhecimento, vida útil econômica e métodos de depreciação.
  • CPC 46 – Valor Justo (Fair Value): Aplicável em M&A, garantias e contratos de seguro.
  • ABNT NBR 14.653 e diretrizes IBAPE: Garantem avaliações credíveis e consistentes.

Observância a essas normas assegura transparência para investidores e auditores, evitando ressalvas em auditorias e distorções no demonstrativo de resultados.

Processos de Organização Patrimonial

O gerenciamento patrimonial eficaz segue um ciclo estruturado, composto por quatro etapas principais:

  • Planejamento Estratégico: Mapeamento de riscos, categorização de bens (máquinas, TI, frota) e definição de políticas internas.
  • Inventário Físico: Emplaquetamento com plaquetas em poliéster ou alumínio dotadas de QR Codes/RFID para identificação automatizada.
  • Conciliação Físico-Contábil: Cruzamento de dados, identificação de sobras e baixas, ajustes de write-off e correções.
  • Engenharia de Avaliações: Testes de impairment por custos de reposição e de mercado para assegurar mensuração realista.

Esse fluxo integrado reduz falhas manuais e fortalece o controle patrimonial, proporcionando decisões financeiras mais assertivas.

Inovações Tecnológicas na Gestão 4.0

O salto de eficiência vem da adoção de plataformas digitais especializadas, que superam planilhas manuais. Entre os recursos mais impactantes estão:

  • Software de rastreabilidade em tempo real, com inventário rotativo via mobile e atualizações automáticas.
  • Sistemas de geolocalização para monitoramento de ativos dispersos geograficamente.
  • Dashboards intuitivos exibindo depreciação acumulada, movimentações e indicadores de desempenho.
  • Integração direta com ERPs e módulos de contabilidade, eliminando retrabalhos e erros de digitação.

Com essas ferramentas, gestores alcançam maior agilidade na tomada de decisões e têm visibilidade completa sobre o ciclo de vida dos ativos.

Soluções de Mercado e Modelos de BPO

O mercado oferece desde gigantes globais até empresas nacionais especializadas:

  • IBM, Oracle e Cisco: módulos robustos, elevados custos de implantação e alto grau de customização.
  • Big Four (Deloitte, KPMG): foco em auditoria e compliance, menos em operação contínua.
  • AXS Consultoria Empresarial e Nativa: soluções nativas para PMEs, importação de dados históricos e atualizações regulatórias ágeis.

O modelo de BPO patrimonial, terceirizando o ciclo completo do ativo, é atraente para empresas que buscam custo-benefício e expertise dedicada.

Gestão Patrimonial para Investidores de Alta Renda

Para indivíduos com fortunas superiores a R$1 milhão em consultoria e R$10 milhões em gestão ativa, o modelo híbrido (consultoria + gestão) se destaca:

  • Planejamento sucessório e tributário, com foco em preservação de patrimônio e governança familiar.
  • Alocação estratégica de ativos, equilibrando liquidez, rentabilidade e perfil de risco.
  • Transparência radical nos custos e incentivos, alinhando expectativas de clientes e gestoras.

Empresas como Altera Capital ilustram esse approach, oferecendo educação financeira e asseio regulatório como diferenciais competitivos.

Impactos Regulatórios e Tendências para 2026

A reforma fiscal prevista para 2026 redesenha o cenário tributário para pessoas físicas e grupos econômicos. Destaques incluem:

  • REARP: pode ser arma de dupla face, trazendo oportunidades de planejamento e riscos de contingência.
  • Códigos de Imóveis (CIB): exige cadastro organizado e inventário preciso de grandes portfólios imobiliários.
  • Juros elevados e inflação: desafiam a rentabilidade, impulsionando otimização de custos e hedge de ativos.

Adotar uma postura proativa é essencial para transformar mudanças regulatórias em vantagens competitivas sustentáveis.

Resumo Quantitativo

A seguir, uma tabela sintetiza números relevantes que ilustram o impacto de práticas adequadas de gestão patrimonial:

Conclusão e Recomendações Práticas

Redefinir a gestão patrimonial implica adotar tecnologias de ponta e cumprir rigorosamente o arcabouço regulatório. Invista em:

  • Plataformas digitais integradas a ERPs.
  • Inventário rotativo com QR Codes/RFID.
  • Consultoria especializada para alta renda e sucessão.
  • Monitoramento constante de mudanças fiscais e contábeis.

Com essa jornada, sua empresa ou carteira de ativos ganhará robustez, agilidade e visibilidade estratégica de longo prazo, criando bases sólidas para crescimento e legado.

Maryella Faratro

Sobre o Autor: Maryella Faratro

Maryella Faratro